quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Tinder: A gente pensa que escolhe

Quando eu fiquei solteira pela última vez resolvi me aventurar online. Não tinha amigas para sair e, apesar de considerar minha mãe uma excelente parceira para paquera, o mercado hoje requer medidas drásticas, portanto me aventurei no Tinder. Baixei o aplicativo para o celular e voilá. No início parecia ótimo, acessei pelo meu perfil do facebook, e este tem um princípio básico: trata-se de um aplicativo de relacionamentos baseado na sua localização: você curte a pessoa e ela te curte, vocês podem conversar.
Algumas pessoas usam esse aplicativo apenas para pegação, para amizades, uns para namorar, outros não definiram ainda o que estão fazendo ali mas, basicamente é apenas uma forma de se conhecer alguém.
Como em qualquer outro ambiente de paquera pode aparecer de tudo e você também é interpretado como "de tudo", viu!
O que torna o aplicativo engraçado no meu modo de ver é que parece um catálogo aonde a gente vai folheando e escolhendo a partir das fotos, descrição e interesses em comum, se houver, portanto a medida que o tempo vai passando a pessoa vai criando critérios de escolha:
- Esse sim, esse não, não, não... nossa, que sorriso estranho. Em todas as fotos ele tem esse sorriso? Vixe, tem, imagine se a gente namora e tira foto junto, e ele tem esse sorriso, não. Ah, esse sim, ahm não, temos muitos amigos em comum, ele vai comentar que me conheceu no Tinder, será que estou desesperada? Será desespero? Mas não está todo mundo usando? Por via das dúvidas, NÃO! Mas, peraí, até que é bonitinho, deixa eu ler a descrição... hum, "já tive mulheres, de todas as cores, de várias idades, d.." vixe, várias idades? ahhh, assim não dá não.....
- Deixa eu ver esse aqui, hum, sem camisa, é, bonitinho, mas tem o nome estranho, como que eu vou apresentar pras amigas? Vão zuar o rapaz... mas eu vou dar um coraçãozinho pra ele, vai que Willisonn tem apelido...
A gente vai selecionando e sendo selecionado. Não pode é parar para pensar quais foram os critérios adotados por quem nos escolheu e PIOR, por quem não nos escolheu.
E nessa eu tive conversas muito interessantes [com a ajuda do TED (Ideias que valem a pena ser compartilhadas)] e fiz até amizades legais, aqui na minha cidade e viajando também. Claro que rola pegação mas, a experiência que eu trouxe para mim deste aplicativo foi que, apesar da roupagem de catálogo virtual é só mais um meio de se conhecer gente, pois em um balcão de bar você também está olhando o físico, e a conversa só rola se o coraçãozinho piscar dos dois lados. Não se deve mistificar muito o mundo virtual pois só se torna real se a química acontecer de verdade.
Entretanto nesse curto período solteira, meu coração só foi bater mais forte uma vez, e foi muito breve, mas deu para sentir a diferença na pulsação. E não foi por ninguém do Tinder não, que precisasse correr quilômetros para achar, tava do lado de casa. O que me faz lembrar daquela música do Nando Reis: A gente pensa que escolhe.
Agora vou deixar aqui uma dica do que pode ser realmente milagroso na busca pela felicidade: A Honestidade. Mas é assunto para outro post.

Tinder along, everybody!

Fonte da imagem: http://dicaappdodia.com/wp-content/uploads/2013/10/tinder-paquera-aplicativo-nova-51934.jpg

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A gente é o que a gente vive.


"Eu não achei que a gente visse nada"
"Oi?"
Foi assim que eu fui acordada dos meus sonhos e devaneios no voo de São Paulo para Brasília, cerca de dez minutos após a decolagem. Era um senhor de meia idade, sentado na poltrona do meio, e sorria para mim enquanto repetia:
- Eu não achei que a gente visse nada. Essa é a primeira vez que eu ando de avião, eu achava que o avião subia, entrava na nuvem e depois descia. E a gente não via nada.
Ele sorria para mim como uma criança, passando os olhos sobre mim, pela janela e disse: Enquanto você dormia eu pude ver, dá pra ver tudo mesmo.
Então eu disse:
- Não tem como o senhor fazer a sua primeira viagem de avião e sentar no meio, venha para a janela, por favor!
- Mas, e a senhora?
- Eu? Eu só uso a janela para dormir, pensar em problemas sem soluções e para chorar, o senhor fará melhor valia da vista.
E então fomos conversando sobre todas as coisas que víamos, e o que não víamos. Falamos sobre o que era montanha, vegetação, água. Como o avião se comporta nas nuvens e na chuva.
- Tá vendo como as plantações são feitas em formas tão simétricas? Isso sempre me encantou. Fica tão redondinho, ou quadradinho. Fosse eu fazendo, saia tudo torto.
Eu disse que voar quando o dia amanhece ou anoitece era lindo demais. E que voar sobre Brasília sob as melhores condições de nuvens e luminosidade dá pra ver até o formato do Plano Piloto.
Ele estava fascinado com a vista e a conversa, e eu seguia igualmente feliz. Até que ele me disse:
- Você já viajou bastante, não é? Você tem muita experiência, e é muito gentil, obrigado.
Eu respondi: De fato já viajei bastante, mas me considero uma pessoa muito observadora. Gosto de prestar atenção nos detalhes do momento que estou vivendo, porque só assim posso me lembrar dele depois, até para poder compartilhar, como agora. Porque, Ivan, o que a gente leva da vida são as experiências que a gente vive. São as coisas que vemos, que ouvimos, que sentimos. É só isso que somos. E não o que os outros pensam que somos, ou falam sobre nós, ou escrevem sobre nós, é o que vivemos, isso é o que somos.
E essa foi a minha epifania sobre o EGO nessa manhã. Não importa o que temos, ou fomos construindo ao redor da nossa imagem, como beleza, dinheiro, roupa, status, emprego. De uma hora para outra tudo isso acaba. O que levamos de fato é o que vivemos. Isso ninguém nos tira, tendo a experiência sido boa, triste ou espetacular. E é isso também que deixamos na vida das pessoas, essa marca.
É mais fácil ele se lembrar de mim como a moça que lhe cedeu o lugar e foi apaixonadamente falante elaborando sobre os céus e de que como as nuvens podiam se parecer com o paraíso a ponto de você ter a impressão que poderia andar sobre elas, do que como a ruiva de boca vermelha que estava minutos antes usando a janela para dormir ou chorar sobre algo sem sentido, não se sabe, mas não para seu objetivo maior.

Vai com Deus no seu próximo voo, Ivan de Ipubi de Pernambuco, e não se acanhe, peça para sentar na janela.

Fonte da imagem: http://gartic.uol.com.br/imgs/mural/iz/izaaaaaabela/livre_1297989451.png

domingo, 19 de outubro de 2014

Prepare-se para ser amante

Há alguns dias eu recebi uma proposta inusitada: compartilhar o meu tempo, meu carinho e os meus beijos com um rapaz comprometido. Eu acho que muitas mulheres já se viram nessa posição, e a proposta é quase sempre tentadora. 
A tentação vem de várias formas: pode ser uma pessoa de boa aparência, posição social, o dito bom partido (maldito ego), ou simplesmente ser alguém por quem a mulher já alimente algum sentimento. Independente do caso, eu parei para pensar e muitas coisas precisam ser consideradas, portanto, toda mulher que foi, é ou pode ser amante deve saber que:

  1.  Amante é amante, não adianta inventar outro nome bonitinho. Se o cara tem namorada, noiva ou esposa, você é amante. E pronto.
  2. Você concordou com isso mesmo que não tenha sido conversado, mesmo que não se toque no nome dela, ela existe. Portanto não adianta fingir que você não liga à noite para ele porque não quer atrapalhar ou  não quer encher a bola do rapaz, porque você sabe que ele não vai atender pois estará com ela e provavelmente vai se chatear contigo.
  3. Ainda no âmbito do que você concordou lembre-se que você cede e é mantida em segredo, isso vai te incomodar, e no final das contas você vai acabar cedendo para muito mais coisas que esperava. Isso vai gerar um dano reparável, mas muito profundo, na sua auto estima. Depois dessa relação você não sabe quanto tempo ainda vai sofrer as consequências desse dano, no sentido de achar que não merece as coisas mais simples que lhe são presenteadas na vida, ou se boicotar a cada possibilidade de felicidade, tudo por causa da auto estima ferida.
  4. Você está se relacionando com um homem que não gosta de você e só usa o seu corpo OU gosta de você mas não consegue tomar uma atitude na vida, qual dos dois é pior?
  5. A mulher dele não é dominadora, egoísta, amarga e cruel como você acha, ou como até ele pode falar. Lembre-se que você não a conhece (isso se você não estiver pegando o marido da amiga, né, sacana!), não sabe como ela é como pessoa, como esposa, como mãe, como mulher. Ele vai sempre ser o infeliz da relação porque é melhor ser infeliz e receber toda a atenção e carinho do mundo do que tomar uma atitude na vida, Ela pode ser, inclusive, muito parecida com você. A gente tende a repetir os padrões nos relacionamentos, e isso vale para os homens também,
  6. Saia do seu mundinho de pensar que "Quem está traindo é ele" porque apesar do compromisso ser dele você está sendo desonesta com você.
  7. E, por fim, esteja preparada, mesmo que no fim tudo seja um mar de rosas e vocês fiquem juntos, ou até terminem e você depois encontre o grande amor da sua vida, você não poderá reclamar se ele, ou outro, tiver uma amante. Mas prepare-se mesmo porque você terá que sorrir e concordar com a vida quando sua filha vier lhe pedir conselhos de relacionamento sendo ela, afinal, amante de alguém, ou quando seu filho crescer e tiver seu lar desfeito por ter amantes na rua, e por aí vai. Porque a vida da gente nada mais é do que uma grande plantação, um terreno arado e fértil, tão fértil que dá tudo que ali se planta.


Uma vez um rapaz me falou: Você quer ser minha amante?
Eu contei para a minha mãe e ela disse: Filha, amante? Fala pra ele que amante é caro, caro demais para ele pagar.
Porém eu acho que ser amante sai mais caro ainda, e só se é se quiser. O mundo apresenta várias outras possibilidades e antes de entrar nessa é bom considerar todas as consequências.
E se você já foi, já teve, ou é, relaxe também, o passado não se muda. Só se pode transformar em aprendizado para mudar a atitude no presente e começar a se fazer o bem, começando por fazê-lo por nós.

"Se nos esquecermos de quem somos, o outro nos fará ser qualquer coisa".

Fonte da imagem: http://sitedepoesias.com/imagens/poemas/23825.jpg

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Meu urso

Nem vou falar do tempo que a menina Alice não aparece por aqui. Acho que no fim das contas o Wonderland não estava tão wonder assim ou a neblina não estava me deixando ver.
O último artigo falava sobre não ter tempo de fazer nada, e acabou que não tive tempo nem de escrever mais.
Sabe aquele túnel que a gente entra e vai até o fim, e no final não havia nada ali, e muitas pessoas se perderam do nosso caminho, ou a gente se perdeu mesmo?
Hoje eu encontrei o tempo que estava fugindo de mim. E o tempo é o presente, o passado e o futuro.
O meu presente parece estar cheio de filtro, as coisas são filtradas até chegarem a mim, as boas e as ruins; o meu futuro, eu não sei. 
Mas o meu passado, eu encontrei da forma mais boba e essencial que poderia. O meu urso.
Em uma arrumação na casa da minha mãe foi encontrado o meu urso, o qual eu tive a surpresa de ver quando cheguei em casa.
Acho que meu Wonderland estava tão conturbado que eu nunca abracei tanto um urso quanto hoje, mesmo ele que já estava acostumado com meus abraços. Tenho esse urso desde os 5 anos. Ele está com o nariz comido, faltando um olho, já foi tirado da lata de lixo (quando uma empregada insensível, imprudente e inconseqüente jogou fora achando que eu não o queria todo rasgado) e costurado várias vezes depois de cães insensíveis, imprudentes e inconseqüentes terem mostrado o ciúme genuíno do meu bem mais precioso.. MEU URSO.
Esse urso me acompanhou na infância, pré, trans e pós adolescência e foi guardado quando me mudei, depois do casamento. Ele não tem nome, já tentei chamá-lo de João, mas acabou sendo urso mesmo.
Já chorei abraçada com ele várias noites, ou dormi o apertando cada vez que eu queria sentir perto alguma pessoa que ali não estava. Acho que ele teve muitos nomes, de pai, irmão, amigo, namorado, representou muitas pessoas que eu quis sentir do lado, e nunca me deixou dormir sozinha. 
Eu não deveria tê-lo deixado quando me mudei. Não se deixa um urso na fase da sua vida que talvez você vá precisar mais. O casamento é uma nova jornada com altos e baixos, e acaba sendo muita responsabilidade para uma pessoa substituir um urso. Tem coisa que só um urso aguenta, e hoje o Beto que me desculpe, mas meu abraço vai ser a noite toda do URSO.

domingo, 15 de agosto de 2010

As soon as...


Aleksandr Petrovsky dizia para a Carrie Bradshaw que assim que ele terminasse a exposição ele daria atenção para ela. Ele usava com frequência a expressão "as soon as". Eu percebi que há 2 anos eu uso AS SOON AS na minha vida, por causa do mestrado.
Não consigo iniciar nada novo enquanto não termino a correção da dissertação. É o último estágio e eu estou protelando há semanas. Não termino a correção e não começo nada.
Eu quero ler meus livros, estudar outros assuntos, começar novas jornadas e está tudo na fila de espera, sem contar o que eu comecei e não terminei.
São mais de 3 livros da Agatha Christie, o "Renato Russo, o filho da revolução", o "Símbolo Perdido" do Dan Brown, o "The Beatles - unseen archives". São os ensaios da banda, as partidas de Project Reality. São os DVDs de vários cursos de cardiologia e dermatologia veterinários, são 2 relatos de caso interessantíssimos que atendi na clínica. São os posts sobre a defesa da dissertação, o curso de Ecodopplercardiograma, os primeiros ecos, e outros assuntos que não foram relatados. E não consigo mensurar a quantidade de livros que eu quero ler e não começo, porque já comecei vários e não pude terminar. E as horas preciosas pesquisando novas músicas, ensaiando no violão, cantando a toa em casa. E as sessões de cinema que não fui por ter que mexer na tese, e acabei em casa vendo Friends por não ter coragem para começar.
É isso, vou apagar o Friends do micro, respeitar o "Time off" do orkut e do MSN, desligar o netbook que eu posso mexer deitada no sofá onde me dá sono... e só volto aqui quando terminar a correção.

I'll continue this article as soon as I finish the Graviola's paper...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Soulmate


Eu sempre tive a sensação que era rodeada de amigos, apesar deles irem e virem nas fases da minha vida. Galeras legais, risadas sensacionais, encontros fenomenais. Muitas farras, cheias de adjetivos, sem objetivos.
Até que trombei com uma perua.. vaidosa ela, cheia de manias que eu nunca teria. Eu pensava que jamais seria amiga, pouco em comum.
Até que eu entrei na sua casa e comprei as suas brigas, e ela entrou na minha vida, e vestiu minha família. Passamos a cultivar juntas momentos preciosos, e trocar de dia e de noite as conversas, as risadas, os amigos e as lágrimas.
Apesar de pouco a ver começaram a perguntar se não éramos irmãs, enquanto uma andava só, a outra era lembrada sempre.
E o tempo foi passando, e o destino tomando conta de cada vida. Cada uma trilhou as oportunidades que surgiram e ver todos os dias já não era mais opção, passou a ser mais desejo e saudade.
Eu não sei se amigos sempre estão juntos, ou dividem os mesmos interesses e expectativas.
E na verdade, pouco me importa o que amigos fazem, pois ela, essa estrela que ilumina o meu caminho mesmo estando fora de alcance na maioria dos dias, é minha alma gêmea.
Eu tenho pena das pessoas que vivem toda uma linha da vida na palma das suas mãos e não encontram uma estrela para acompanhar.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Para não brigar com a prima

No último dia 09 de Maio foi aniversário da minha sobrinha perfeita, filha da minha dócil priminha. Essa prima é 10 dias mais velha que eu, crescemos juntas e passamos quase todas as férias uma na casa da outra. Quando nossas mães estavam grávidas da gente, a minha sempre pedia: Ah, eu quero uma filha chata, fresca, que chore a toa, e seja bem vaidosa, metida... Enfim, tudo que ela pediu foi para a minha prima.
Apesar de nos amarmos, sempre brigamos muito, quando crianças. Esse adorável ente querido é a braveza em pessoa. Ela consegue ter as quatro estações do humor em um dia só e é preciso muito cuidado para não irritá-la. Quando éramos crianças, brincávamos de boxe (idéia dela) e eu sempre apanhei. Mas ela teve a quem puxar, meu tio também não é a docilidade em pessoa.
Apesar disse a gente se entende, sempre se entendeu, tanto que quando as férias se aproximavam eu dizia: Mãe, quero ir para Petrolina.
Nessa viagem não foi diferente. Depois de dizer que ia me mandar para o Esquadrão da Moda, fizemos uma boa farra juntas. Após experimentar todos os vestidos que eu levei para usar em um casamento eu recebi a quase aprovação de um só: meu vestidinho vermelho da Iódice.
Ela ia passar o dia no salão e me disse: Você não vai com esse cabelo assim não, né?
Eu pensei: Como assim? Eu vou com esse cabelo 'assim' para todos os lugares, aliás, acho lindo.
- O que há de errado com o meu cabelo?
- Aff Alice, primeiro, se você pinta o cabelo tem que hidratar, e faz uma escova para ele não ficar assim todo 'fubento'!
Você pode perceber a delicadeza em se dar um conselho e todo cuidado para não magoar o ouvinte. Minha resposta foi mais delicada ainda: Vai se f*#%&, prima!
Mas, é claro, eu fiz a tal escova.
Ah, outro detalhe da viagem foi que eu levei 40 reais na intenção de não gastar nada, então eu mesma fiz a escova, e as unhas.
Enquanto eu pintava as unhas de vermelho a neném veio falar: Titia, pinta unha!
Como negar? Tia é para isso mesmo, depois a mãe dela tirava. Quando a mãe chegou, logo viu as unhas vermelhas da menina: Quem pintou sua unha, neném?
Silêncio... graças a Deus a menina esqueceu meu nome.
-Quem foi que pintou, meu amor?
Então ela apontou para mim e disse: Ela!!
Mas ainda ficou a dúvida pois eu estava sentada entre duas outras tias. Foi quando eu perguntei: Quem que pintou, neném?
Ela respondeu: Foi tu!
Eu deveria ter pintado enquanto ela ainda não sabia falar. Resultado: ela não quis tirar o esmalte e no outro dia, no seu aniversário, exibiu as unhas para todo mundo.
Mas voltando para a arrumação do casamento. Na hora de sair, eu coloquei o vestido e perguntei para a prima:
- Tá bom?
- Só tem esse, né? (acredite, isso foi um elogio)
- Sim, prima, só tem esse.
- E sutiã, não vai usar?
- Não precisa, é tomara-que-caia e segura direitinho.
- É, tá bom, tá bonito, mas os peitos vão ficar caídos.
Essa sabe levantar nossa auto-estima.
Ao menos no sapato eu acertei, um sapatinho vermelho de verniz. Algo me diz que devo usá-lo para sempre.
Nós fomos para a festa e lá foi só animação. Conversamos, brincamos, dançamos e eu, de penetra, ainda subi no palco e cantei uma música. Minha prima gritava: Aliceeee, é minha prima, minha primaaa!!
Dizem que família a gente não escolhe mas eu digo que Deus escolheu a melhor família para mim.